Dia Mundial da Voz 2014

Clínica Universitária ORL da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa

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As doenças mais frequentes

A maioria das alterações da voz são devidas a doenças que devem ser diagnosticadas o mais precocemente possível como por exemplo: laringites, lesões benignas das cordas vocais (nódulos, polipos e quistos), refluxo gastro-esofágico e faringo-laríngeo, utilização incorrecta da voz, paralisia das cordas vocais e cancro da laringe.

 

Laringite

A laringite aguda é uma inflamação das cordas vocais.

Habitualmente surge durante uma infecção viral do aparelho respiratório que provoca um edema das cordas, comprometendo a sua vibração e traduzindo-se por rouquidão. O melhor tratamento é o repouso vocal e a hidratação.

Como a maior parte destas infecções são devidas a vírus os antibióticos nem sempre são necessários.

Durante uma laringite aguda há que ter o maior cuidado com a utilização da voz, pois aumenta o risco de hemorragias, nódulos, polipos e quistos.

Lesões benignas

O uso incorrecto da voz, o esforço ou o abuso vocal, pode provocar o aparecimento de lesões benignas numa ou nas duas cordas vocais que interferem com a vibração, originando rouquidão, voz áspera e cansaço vocal.

As lesões mais frequentes são os nódulos vocais, também conhecidos por "calos" das cordas vocais. Habitualmente surgem nas duas cordas sensivelmente em frente um do outro.

O seu tratamento exige repouso vocal e reabilitação (terapia da fala), com a qual se procura melhorar a técnica vocal, reduzindo ou anulando o esforço e a tensão do aparelho fonatório.

Os polipos e os quistos são outras lesões frequentes e estão igualmente, relacionadas com esforços e abuso vocal. A cirurgia está indicada, articulada com a terapia da fala.

Refluxo gastro-esofágico e faringo-laríngeo

No refluxo, a acidez do estômago pode subir até à "garganta", provocando, entre outros sintomas, rouquidão crónica ou intermitente, dificuldade na deglutição, sensação de corpo estranho, irritação e dor.

O refluxo faringo-laríngeo pode ser difícil de diagnosticar porque, em cerca de metade dos doentes, não existem queixas gástricas ou esofágicas, nomeadamente ardor retro esternal.

A existência de um refluxo é mais difícil de diagnosticar quando ocorre durante a noite. Nesta situação é frequente os doentes acordarem com uma "irritação na garganta", rouquidão, sensação de desconforto faríngeo, sem conseguirem identificar a causa. A observação pelo Otorrinolaringologista vai esclarecer se estes sintomas são provocados pelo refluxo.

Utilização incorrecta da voz

A rouquidão, assim como as outras alterações, pode ser provocada por uma utilização incorrecta da voz ou, se quisermos, por uma má técnica vocal. É o que sucede quando se fala em tons demasiado agudos ou graves.

Uma técnica vocal incorrecta obriga a um esforço das cordas vocais e dos seus músculos originando a sensação de "fadiga vocal". Os exemplos são vários - intensidade elevada da voz; voz percutida (ritmada); acentuação ou reforço da primeira sílaba de cada palavra entre outros.

A respiração é fundamental para uma voz "saudável". Uma técnica respiratória incorrecta como sucede com a respiração centrada nos ombros ou no pescoço em vez de ser costodiafragmática ou abdominal, vai aumentar a tensão nos músculos do pescoço e da laringe, originando disfonia, associada ou não a outros sintomas (dor e cansaço vocal).

As alterações posturais podem também condicionar alterações vocais. Assim se utilizarmos o telefone apoiado no ombro pode-se provocar a contracção dos músculos do pescoço e da laringe o que vai alterar a qualidade da voz.

Paralisia das cordas vocais

A disfonia assim como outros sintomas, pode estar associada a alterações dos nervos e músculos da laringe sendo a situação mais frequente a paralisia ou a parésia (diminuição da mobilidade) de uma ou das duas cordas vocais. Se as duas cordas vocais tiverem a sua mobilidade comprometida, o que é raro, surge também falta de ar e respiração ruidosa.

A paralisia ou parésia de uma corda vocal pode ser provocada por uma infecção viral como surgir após uma intervenção cirúrgica. Em alguns casos a sua etiologia é desconhecida.

A paralisia de uma das cordas vocais, altera o espaço situado entre elas, provocando uma diminuição da intensidade da voz que se pode tornar fraca e soprosa.

A maior parte das paralisias unilaterais recupera expontaneamente por si só (meses); se a paralisia se tornar permanente, a cirurgia pode ser a solução.

Neste tipo de cirurgia, para a qual existem várias técnicas, vai reposicionar-se a corda vocal paralisada, procurando-se aumentar a sua vibração.

A reeducação vocal (terapia da fala) é efectuada tanto no pré como no pós operatório. Noutros, a terapia da fala é mesmo o único tratamento.

A opção terapêutica está dependente da natureza da paralisia da corda vocal e das alterações da voz.

Cancro da Laringe

O cancro da laringe é uma doença grave que exige um diagnóstico o mais precoce possível.

O tumor da corda vocal provoca alterações na voz tornando-a rouca e áspera. Estes sintomas aparecem logo nos primeiros estádios pelo que se forem valorizados, é possível efectuar o diagnóstico numa fase precoce e obter a cura.

A rouquidão que persista mais do que duas semanas exige a observação por um Otorrinolaringologista, a qual se torna ainda mais urgente num fumador.

O tratamento do cancro da laringe inclui cirurgia, radioterapia e quimioterapia, de uma forma isolada ou em articulação.

Se um tumor da corda vocal for diagnosticado precocemente, é possível obter uma percentagem de cura superior a 90%, quer através da radioterapia quer da cirurgia.

Se notar uma alteração da voz que se torne persistente (ex.: rouquidão ou voz áspera), deve consultar o seu Otorrinolaringologista.

 

Texto Traduzido e adaptado de: